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Alimentos ultraprocessados

Oi biologuínhos, tudo bem? Hoje vamos desembalar um tema que está diretamente na nossa mesa e tem impacto profundo na nossa saúde: os alimentos ultraprocessados. Mais do que uma simples comida "não saudável", essa classificação revela uma transformação industrial radical dos ingredientes originais e suas consequências para o organismo.

A classificação mais utilizada atualmente é a NOVA, proposta por pesquisadores brasileiros, que divide os alimentos em quatro grupos com base na extensão e no propósito do processamento industrial. Os alimentos ultraprocessados formam o grupo 4 e são definidos como formulações industriais feitas inteiramente ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gordura hidrogenada, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório a partir de substratos orgânicos (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários aditivos) (MONTEIRO et al., 2019). Em outras palavras, são produtos criados para serem hiperpalatáveis, de longa duração, prontos para consumo e, frequentemente, para substituir alimentos in natura ou minimamente processados.

Exemplos típicos incluem refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, nuggets, salsichas e uma grande variedade de pratos congelados prontos. Do ponto de vista nutricional, eles são marcados por densidades desequilibradas: são hipercalóricos, com alta densidade energética; têm excesso de açúcares livres, gorduras não saudáveis (trans e saturadas) e sódio; e são pobres em fibras alimentares, vitaminas, minerais e outros compostos bioativos (CANELLA et al., 2014). Esse perfil é a chave para entender seus malefícios.

O consumo regular e em grande quantidade de ultraprocessados está fortemente associado, por inúmeros estudos epidemiológicos, a um maior risco de doenças crônicas não transmissíveis. Essas incluem obesidade (devido à facilidade de consumo excessivo de calorias), diabetes tipo 2 (pelo impacto nos picos de glicose e resistência à insulina), doenças cardiovasculares (relacionadas às gorduras e ao sódio) e certos tipos de câncer (LAURA et al., 2020). Os mecanismos vão além da simples composição nutricional ruim. A textura macia e a hiperpalatabilidade podem interferir nos mecanismos naturais de saciedade, fazendo com que se coma mais. Além disso, eles tendem a deslocar alimentos in natura da dieta, reduzindo a ingestão de nutrientes essenciais e de fibras, fundamentais para a saúde intestinal e metabólica.

Portanto, entender os alimentos ultraprocessados é reconhecer que eles representam mais do que uma escolha alimentar; são o produto de um sistema que prioriza o prazer sensorial imediato, a conveniência e o prazo de validade em detrimento da qualidade nutricional e da saúde a longo prazo. Reduzir seu consumo e basear a dieta em alimentos in natura ou minimamente processados não é apenas uma recomendação dietética, mas uma estratégia de saúde pública fundamental para frear a epidemia global de doenças crônicas associadas à alimentação.

 

REFERÊNCIAS

CANELLA, D. S. et al. Ultra-processed food products and obesity in Brazilian households (2008-2009). PLoS ONE, v. 9, n. 3, e92752, 2014.

LAURA, A. et al. Ultra-processed foods and health outcomes: A narrative review. Nutrients, v. 12, n. 7, p. 1955, 2020.

MONTEIRO, C. A. et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutrition, v. 22, n. 5, p. 936-941, 2019.

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