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As plantas purificam o ar?

Oi biologuínhos, tudo bem? A ideia de que ter plantas em casa purifica magicamente o ar é uma imagem muito difundida. Mas será que uma samambaia no canto da sala é realmente um filtro de ar equivalente a um aparelho? Vamos explorar o que a fisiologia vegetal nos diz sobre a capacidade real das plantas de melhorar a qualidade do ar que respiramos.

É verdade que as plantas realizam processos que podem remover certos compostos do ar. O mais conhecido é a fotossíntese, durante a qual elas absorvem dióxido de carbono (CO₂) e liberam oxigênio (O₂). Além disso, através de pequenos poros chamados estômatos, as plantas realizam trocas gasosas e podem absorver, em baixíssimas quantidades, alguns compostos orgânicos voláteis (COVs) presentes no ar interior, como o formaldeído e o benzeno, que são emitidos por móveis, tintas e produtos de limpeza. Esses poluentes podem ser metabolizados ou armazenados em seus tecidos (WOLVERTON et al., 1989). Outro mecanismo é a ação dos microorganismos presentes no solo dos vasos, que também contribuem para a degradação de poluentes.

No entanto, o contexto é crucial. A famosa pesquisa da NASA dos anos 80, que deu origem a esse mito, foi realizada em condições muito específicas: uma câmara selada, do tamanho de uma pequena caixa, com uma concentração muito alta de poluentes e uma iluminação intensa. Nesse ambiente controlado e extremo, as plantas demonstraram eficiência. O problema surge quando tentamos extrapolar esses resultados para um ambiente doméstico real (CUMMINGS; WARING, 2020).

Um escritório ou apartamento não é uma câmara selada. Ele tem taxas de troca de ar com o exterior (ventilação, infiltrações), que são o fator mais importante na diluição de poluentes. Estudos de modelagem recentes concluíram que, para ter um impacto mensurável na redução de COVs em uma sala de tamanho médio, seriam necessárias dezenas ou mesmo centenas de plantas por metro quadrado – um cenário completamente inviável, que mais se assemelharia a uma selva indoor do que a uma decoração com plantas (CUMMINGS; WARING, 2020). Em outras palavras, a taxa de remoção de poluentes por uma ou poucas plantas é insignificante comparada à simples taxa de ventilação do ambiente.

Portanto, as plantas de interior têm muitos benefícios comprovados, como melhorar o humor, reduzir o estresse e aumentar a sensação de bem-estar e produtividade. Elas são ótimas companheiras. Mas atribuir a elas a função de "purificador de ar" eficaz é um exagero da ciência. Para melhorar de fato a qualidade do ar em ambientes fechados, as medidas mais eficazes continuam sendo a ventilação adequada (abrir janelas), o uso de filtros de ar mecânicos com HEPA ou carvão ativado, e a redução na fonte dos poluentes (escolher móveis e materiais de construção com baixa emissão de COVs). As plantas fazem sua parte no grande ciclo planetário, mas dentro de casa, seu maior poder está em nos conectar com a natureza, não em substituir um sistema de filtragem.

 

REFERÊNCIAS

CUMMINGS, B. E.; WARING, M. S. Potted plants do not improve indoor air quality: a review and analysis of reported VOC removal efficiencies. Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology, v. 30, p. 253–261, 2020.

WOLVERTON, B. C.; JOHNSON, A.; BOUNDS, K. Interior Landscape Plants for Indoor Air Pollution Abatement. NASA, 1989.

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