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Uso de folha de coca para dor: o que a Ciência sabe?

No último ano, viralizaram alguns vídeos nas redes sociais sobre ‘mascar folha de coca para lidar com a dor’. Vamos entender como ela age?

A folha de coca (Erythroxylum coca) é utilizada há milhares de anos por povos andinos como um recurso medicinal natural, especialmente para aliviar dor, fadiga, náuseas e mal-estar em grandes altitudes. Diferente da cocaína — uma substância isolada, concentrada e ilegal — a folha de coca contém apenas pequenas quantidades de alcaloides, sendo tradicionalmente mascada ou consumida em chás. Estudos mostram que a folha possui ação analgésica leve a moderada devido à presença de alcaloides tropanos, flavonoides e compostos anti-inflamatórios naturais que modulam a percepção de dor sem os efeitos intensos associados à cocaína purificada. Pesquisas apontam que o consumo tradicional pode reduzir cefaleias de altitude e desconfortos musculares, além de melhorar a oxigenação em ambientes com baixa pressão parcial de oxigênio (Fleming et al., 2017).

Contudo, apesar de seu uso cultural consolidado, existem limitações importantes. A quantidade de alcaloides varia muito entre folhas, o que dificulta padronizar doses terapêuticas. Estudos farmacológicos também sugerem que o uso frequente pode causar taquicardia leve ou alterações no sono em pessoas sensíveis (Niesink & van Laar, 2016). Além disso, embora o consumo ritual e tradicional seja permitido em países como Peru e Bolívia, a folha de coca permanece regulamentada internacionalmente devido à relação com a produção ilícita de cocaína, o que restringe pesquisas e dificulta análises mais profundas sobre seu potencial medicinal. Ainda assim, revisões recentes defendem que investigar seus compostos bioativos pode abrir caminho para novos analgésicos naturais de baixa dependência (Garrido et al., 2020). Em síntese, a folha de coca possui propriedades reais de alívio da dor dentro de seu contexto cultural, mas não deve ser confundida com cocaína, e sua utilização deve ser analisada com cuidado científico e regulatório.


REFERÊNCIAS

Fleming, S., et al. (2017). Coca chewing and high-altitude physiology. High Altitude Medicine & Biology, 18(4), 305–312.

Niesink, R. J. M., & van Laar, M. W. (2016). Pharmacological aspects of coca leaf consumption. Journal of Ethnopharmacology, 190, 1–11.

Garrido, R., et al. (2020). Bioactive compounds in Erythroxylum coca and their potential medicinal applications. Phytochemistry Reviews, 19, 1025–1042.

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