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Como funciona a dor?

Oi biologuínhos, tudo certo por ai? Hoje vamos entender como funciona a dor que, apesar de parecer algo ruim, é essencial para nossa sobrevivência.

A dor é uma experiência sensorial e emocional complexa, fundamental para proteger o organismo contra danos. Ela começa nos nociceptores, receptores especializados presentes na pele, músculos, articulações e órgãos internos, que detectam estímulos potencialmente perigosos como temperaturas extremas, pressão excessiva ou substâncias químicas liberadas em processos inflamatórios. Quando ativados, esses receptores enviam sinais elétricos pelos nervos periféricos até a medula espinhal, que funciona como um “portão” regulador: dependendo do contexto, ela pode amplificar ou diminuir a intensidade da mensagem nociva antes de enviá-la ao cérebro (Melzack & Wall, 1965). Ao chegar ao tálamo e ao córtex, o cérebro interpreta o sinal, associando-o a emoções, memórias e atenção, o que explica por que a dor não é apenas física, mas também subjetiva.

Além da dor aguda, que serve como alerta imediato, existe a dor crônica, que persiste por meses e pode continuar mesmo sem lesão ativa. Nesse caso, o sistema nervoso entra em um estado de sensibilização, no qual os neurônios se tornam hiper-responsivos, levando a dores intensas com estímulos pequenos ou até sem estímulo algum (Woolf, 2011). Esse processo envolve alterações químicas, inflamatórias e até mudanças estruturais nos circuitos neurais. A dor também é modulada por fatores psicológicos: estresse, ansiedade, depressão e expectativa podem aumentar a percepção dolorosa, enquanto relaxamento, distração e suporte social tendem a reduzi-la. Há ainda os analgésicos naturais produzidos pelo próprio corpo — como endorfinas — que se ligam a receptores opioides e diminuem a transmissão da dor nos nervos, funcionando como um sistema interno de alívio. Assim, entender a dor é compreender um fenômeno biológico essencial que envolve corpo, cérebro e contexto.

 

REFERÊNCIAS

Melzack, R., & Wall, P. D. (1965). Pain mechanisms: a new theory. Science, 150(3699), 971–979.

Woolf, C. J. (2011). Central sensitization: Implications for the diagnosis and treatment of pain. Pain, 152(3), S2–S15.

Tracey, I., & Mantyh, P. W. (2007). The cerebral signature for pain perception and its modulation. Neuron, 55(3), 377–391.

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