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Consumo exagerado de energéticos

Oi biologuínhos, tudo bem? Como professora, trabalhando diretamente com crianças e adolescentes, tenho presenciado um hábito muito comum entre eles: o consumo exagerado de energéticos. Vamos entender os prejuízos disso?

O consumo de bebidas energéticas tem aumentado nos últimos anos, especialmente entre jovens e adultos que buscam mais disposição, melhora no foco ou redução do cansaço. Apesar de populares, essas bebidas podem causar efeitos importantes no organismo quando consumidas em excesso. A maioria dos energéticos combina altas doses de cafeína, taurina, açúcar e outros estimulantes que atuam diretamente no sistema nervoso central. A cafeína, em especial, aumenta a liberação de adrenalina, eleva a frequência cardíaca e reduz a sensação de sono, o que explica o estado de alerta que muitos consumidores buscam — mas também os riscos associados.

Estudos mostram que grande parte dos efeitos adversos está ligada à quantidade elevada de cafeína. Pesquisas publicadas no Journal of the American Medical Association (JAMA) relatam que o consumo excessivo pode causar taquicardia, arritmias, aumento da pressão arterial, ansiedade, tremores e insônia, especialmente quando a ingestão ultrapassa 400 mg de cafeína por dia, limite recomendado para adultos saudáveis. Em adolescentes, esse limite é ainda mais baixo. Outro ponto preocupante é que muitos energéticos contêm quantidades significativas de açúcar, o que contribui para picos glicêmicos, ganho de peso e desgaste dentário. Um artigo publicado em Frontiers in Public Health destaca que o consumo frequente está associado a maior risco de obesidade, cáries e síndrome metabólica.

Além dos efeitos cardiovasculares e metabólicos, há riscos neurológicos importantes. Estudos como o de Seifert et al. (2011), publicado em Pediatrics, alertam que o uso exagerado pode desencadear crises de ansiedade, agitação extrema e até convulsões em pessoas predispostas. A combinação de energéticos com álcool — prática comum entre jovens — aumenta ainda mais os riscos, pois a cafeína mascara a sedação causada pelo álcool, levando a consumo maior e comportamento de risco, como demonstrado em pesquisas do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e do Alcoholism: Clinical and Experimental Research.

Outro aspecto discutido pela literatura é o impacto no sono. Uma revisão publicada no Sleep Medicine Reviews mostra que o consumo de energéticos no fim do dia atrapalha a arquitetura do sono, reduzindo profundidade e qualidade do descanso, o que cria um ciclo de cansaço e dependência da bebida. Em médio e longo prazo, isso compromete atenção, memória, humor e desempenho acadêmico ou profissional.

Embora energéticos possam ser consumidos com moderação por adultos saudáveis, a ciência é clara: o consumo exagerado traz riscos reais para o coração, cérebro e metabolismo, especialmente em adolescentes, gestantes, pessoas com ansiedade, hipertensão ou problemas cardíacos. Como qualquer estimulante, não substituem descanso adequado, alimentação equilibrada ou tratamento médico para fadiga persistente. O alerta principal da comunidade científica é que o uso frequente e em grandes quantidades deve ser evitado, e a população jovem merece atenção especial.

 

REFERÊNCIAS

Seifert, S. M. et al. “Health effects of energy drinks on children, adolescents, and young adults.” Pediatrics, 2011.

Temple, J. L. “Review: Effects of caffeine on health and behavior in children and adolescents.” Food and Chemical Toxicology, 2019.

Higgins, J. P. et al. “Energy beverages: content and safety.” Mayo Clinic Proceedings, 2010.

Wolk, B. J., Ganetsky, M., & Babu, K. M. “Molecular and clinical considerations of energy drink consumption.” Current Opinion in Pediatrics, 2012.

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