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Fumar maconha realmente faz mal? Tudo que sabemos sobre o uso prolongado.

Bom dia, biologuínhos! Tudo certo por ai? Hoje falaremos de um tema muito polêmico, mas que é muito necessário, tendo em vista o amplo uso da substância.

A maconha (Cannabis sativa) é uma das substâncias psicoativas mais consumidas do mundo e, com o avanço das discussões sobre legalização e uso medicinal, os efeitos de seu consumo têm sido amplamente investigados pela Ciência.

Seus principais compostos ativos são o THC, responsável pelos efeitos psicoativos, e o CBD (canabidiol), que não causa alteração de consciência e apresenta propriedades terapêuticas importantes. A combinação entre esses é o que modula os efeitos da planta no organismo.

Logo após o consumo, principalmente quando fumada ou vaporizada, os efeitos emergem rapidamente. Entre os mais comuns estão: relaxamento, sensação de euforia, alteração de percepção sensorial e temporal, aumento do apetite e da sensibilidade a estímulos externos. Entretando, efeitos negativos também podem ocorrer, como boca seca, taquicardia, prejuízos temporários à coordenação motora, alterações na atenção e dificuldades na memória de curto prazo.

Estudos recentes mostram que o THC (psicoativa) pode comprometer temporariamente funções executivas, o que aumenta riscos relacionados, por exemplo, à condução de veículos. Um dos levantamentos mais citados sobre isso é o de Volkow et al. (2014), publicado no New England Journal of Medicine, que reforça a influência do THC na memória e no controle motor.

Esses prejuízos, a nível cerebral, afetam áreas importantes como o córtex pré-frontal, hipocampo e cerebelo, o que promove alterações na cognição, memória e tomada de decisão. Esses efeitos podem ser mais intensos quando o uso se inicia na adolescência, período crítico para o desenvolvimento cerebral.

Quando falamos de efeitos a longo prazo, temos os problemas respiratórios associados ao hábito de fumar, tal como prejuízos cognitivos duradouros, maior possibilidade de desenvolver dependência e, em alguns casos, aumenta o risco de psicose (Di Forti et al., 2019).

Apesar disso tudo, finalmente, muito evoluímos sobre a aplicabilidade do canabidiol para usos medicinais, tratando inúmeras condições como crises convulsivas, epilepsia, tratamento de ansiedade ou distúrbios do sono (Devinsky et al., 2017).

Embora a Ciência já tenha avançado muito, o que se sabe com clareza é que a Cannabis sativa não é inofensiva, mas também não é uma substância com um único perfil de riscos: seus efeitos dependem de dose, frequência, idade, contexto de uso e vulnerabilidade individual. Ah, e lembrando: ela ainda é uma droga ilícita, isto é, fumar em público ainda é proibido e o porte acima de 40g pode resultar em penalidades administrativas.

 

REFERÊNCIAS

Volkow, N. D. et al. Adverse Health Effects of Marijuana Use. New England Journal of Medicine, 2014.

Di Forti, M. et al. The contribuition of cannabis use to variation in the incidence of psychotic disorder. The Lancet Psychiatry, 2019.

Devinsky, O. et al., Trial of Cannabidiol for Drug-Resistant Seizures. NEJM, 2017.              

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